Há sete meses, eu lido de segunda à sexta feira com professores anunciando em frente a 40 alunos como é importante ter proteína animal no prato. Assisto a aulas sobre os nutrientes do leite, como tornar o ovo um alimento mais seguro ou adaptar a carne em cardápios de baixo custo. Já escutei que comer salada em excesso pode trazer malefícios e que é impossível ser vegano sem suplementação. Uma única professora trouxe as questões éticas para a sala de aula. E, claro, ela é vegetariana. Há sete meses eu aprendo como ser uma vegana no curso técnico em nutrição, sem arrumar brigas ou motivos para desistir.

A questão é que não dá para entrar em um curso de nutrição, seja o técnico ou a graduação, acreditando que você vai escutar aquilo o que deseja. Porque você não vai. Talvez, em nenhum momento. Ou, quem sabe, você dê a sorte de encontrar professores com a mente (e o coração) abertos ou uma grade curricular que permita desviar dos caminhos tradicionais. Mas se tem uma coisa que eu aprendi nesses últimos meses é escutar, absorver o que julgo importante e transformar o incômodo em algo que faça sentido. Projetos e pesquisas paralelas são as expressões chave. Além de jogo de cintura e muita paciência. 

Outro ponto é não ir com pré-julgamentos. Principalmente em relação às pessoas. Eu me surpreendi positivamente e até levei uma das meninas para o lado verde da força. Pode ser que as piadinhas surjam, comentários equivocados e questionamentos com a intenção de te inferiorizar. Ao mesmo tempo, pode ser que existam pessoas interessadas em conhecer sobre o assunto, com dúvidas que te ajudarão a desmistificar as ideias erradas que rondam o veganismo e até com uma vontade de seguir o mesmo estilo de vida. Nós escutamos tanta besteira por aí diariamente, um a mais ou um a menos não vai mudar nossa certeza de que estamos fazendo a coisa certa. Mesmo com certa resistência, o que importa é que sempre vamos impactar de uma forma positiva ou, pelo menos, plantar a sementinha da curiosidade.

Fato é que não é fácil. É preciso muita força de vontade e amor pelo curso para conseguir lidar com as coisas que a nutrição tradicional impõe. Isso porque estou no técnico, que é bem superficial em relação à graduação, além de focar bastante na gestão de Unidades de Alimentação e Nutrição. Mas, estresse à parte, estou adorando esse universo novo e, finalmente, me descobri. Uma pena que me joguei no Jornalismo antes de considerar a Nutrição com mais carinho.

Vamos lembrar, porém, que para tudo se há um jeito. No meu seminário sobre leite e derivados, eu pude falar sobre os malefícios, apresentando pontos de vista que a turma ainda não conhecia. Nas aulas, posso sempre levantar a mão e discordar. Algumas professoras sempre pedem minha opinião quando o assunto é vegetarianismo ou veganismo. Meu TCC vai ser sobre aleitamento materno, nada que me obrigue a falar o que não acredito. Nas aulas práticas, eu tenho a opção de não fazer carne ou não provar preparações com derivados de leite. E mesmo se eu não aguentar ficar no mesmo ambiente em que estão preparando frango, posso levantar e sair da sala. Minha menção que me perdoe.

O mundo não é vegano. Eu entendi isso. Não adianta querer se isolar ou criar rancor de todo mundo que come carne. Dessa maneira, vamos continuar cada vez mais aumentando essa bolha que já existe e só afasta as pessoas do movimento. Precisamos entrar nesses lugares e trazer o veganismo para contrapor o tradicional. Ter professoras falando que carne é essencial por uns anos vale a pena colocando em perspectiva que isso é necessário para levar minha carreira na direção que desejo.

Vocês também fazer algum curso ou têm algum professor que entre em conflito com o seu estilo de vida ou ideologia? Me contem nos comentários!

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